O Faial Filmes Fest - Festival de Curtas das Ilhas 2009 começa a desenhar-se, com pinceladas que fazem adivinhar uma edição recheada de acontecimentos marcantes. Desde logo, uma Competição mais abrangente, tanto no seu âmbito - aos Açores e resto do país, juntam-se este ano cinematografias das outras ilha da Macaronésia, engrossando o corpo do manifesto “Festival de Curtas das Ilhas” – como na sua dimensão - mais secções e mais sessões competitivas. Trata-se, neste aspecto, de um imperativo ditado pelo crescimento do Festival: o afluxo de filmes inscritos para Competição e a qualidade de alguns dos trabalhos já recebidos “obrigam” a que se dedique mais tempo e mais espaço a esta componente – essencial - do Festival. É, de resto, uma “obrigação” que o Cineclube da Horta, entidade organizadora do Faial Filmes Fest, cumpre com o maior prazer, pois ela expressa, entre outras coisas, a visibilidade e a credibilidade do Festival de Curtas das Ilhas no meio cinematográfico nacional. Perspectiva-se, portanto, uma Competição de grande nível.
Fora da Competição, e entre as opções já delineadas e confirmadas para o programa da 5ª edição do FFF, destaca-se, para já, a homenagem ao realizador português Paulo Rocha. Depois da homenagem, na edição 2008, a Fernando Lopes, o Faial Filmes Fest prossegue assim o intuito de anualmente prestar tributo aos grandes cineastas portugueses, acrescentando um pouco mais o espaço de conhecimento e reconhecimento devido aos realizadores deste país que engrandecem e dignificam o Cinema em Portugal. Paulo Rocha é um desses homens.
Paulo Rocha
Paulo Rocha provém de uma geração de cineastas com formação universitária (no seu caso, Direito) e que foi cativada para o cinema em grande parte através da acção dos cineclubes. Com diploma em realização, foi assistente de Jean Renoir em 1962 e um ano depois realiza aquele que viria a ser um filme marcante do chamado “cinema novo”: Os Verdes Anos. Com produção de António da Cunha Teles, a primeira longa-metragem de Paulo Rocha introduz um movimento cinematográfico que corta amarras com um estilo convencional em decadência e se assume como moderno a nível narrativo e técnico. Os Verdes Anos abre também portas para a apresentação de filmes de novos realizadores portugueses em festivais internacionais de cinema (o filme obtém mesmo distinções em Locarno, Acapulco e Valladolid).
O público do Faial Filmes Fest 2009 poderá trocar impressões com Paulo Rocha sobre este e outros aspectos da longa e relevante carreira deste cineasta português, que estará no Faial para participar no Festival de Curtas das Ilhas, em Novembro. |