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09.11.2009 » 16:30

Açores, ilha do Faial, nove e meia da manhã. Mais um dia claro numa das inusitadas semanas de bom tempo do Verão-Outono açoriano – janela (in)esperada com vista para o V Faial Filmes Fest. Cedo, para quem ainda sente o bulício da música das conversas da noite que mal se deitou. Dali vislumbram-se as varandas do Hotel Faial viradas para o Pico, onde se acomodam esta semana os vários participantes do Festival de Curtas das Ilhas, vindos do continente. É numa delas que está Paulo Rocha – Os Verdes Anos não envelhecem mesmo! – frente-a-frente com a câmara de António João Saraiva, o realizador de GENTE DE FAJÃS, que havia sido exibido na véspera, em estreia nos Açores, numa das sessões especiais do Faial Filmes Fest 2009. Imagem sublime. Cinema. Paulo, soubemo-lo depois, acordou António para que este filmasse as nuvens do Pico que tanto fascinaram o veterano do “cinema novo” português e lhe puseram a cabeça a fervilhar de projectos (certamente anotados no caderno de papel acastanhado onde António regista coisas, pequenas histórias, momentos…).
A 5ª edição do Faial Filmes Fest foi um festival de encontros, como este, e de afectos, dentro do cinema, com o cinema, através do cinema (não fosse este a Arte de criar magia e provocar emoções), dominada pela impressionante presença desse “animal do cinema”, nas palavras do jovem realizador de ARENA, João Salaviza, ao receber das mãos de Paulo Rocha – o realizador homenageado desta edição do Faial Filmes Fest - o prémio de Melhor Ficção do Festival. Salaviza haveria de subir ao palco uma outra vez, para receber ainda o prémio de Melhor Filme, novamente para a curta-metragem ARENA, sem deixar passar a oportunidade para elogiar o espaço que os festivais conferem à promoção e divulgação de um certo cinema português, mal-amado pela poderosa indústria cinematográfica. Também de reencontros se fez o V Faial Filmes Fest: o da cineasta Raquel Freire com o mestre do “cinema novo” (poder-se-ia dizer um reencontro de lutadores de duas gerações distintas), o de Lula Pena com a Ilha (noite fora, em trovas e em-baladas), o dos membros do Júri e dos formadores, entre si e com a “família” de cá; o de todos com o público (numeroso e sobretudo caloroso) e deste com o bom cinema português - desde OS VERDES ANOS, de Paulo Rocha, em cópia restaurada, a UM AMOR DE PERDIÇÃO, de Mário Barroso, passando por VENENO CURA, de Raquel Freire, até TEBAS, de Rodrigo Areias -, nas sessões especiais e de competição, e nas noites do Festival, num ambiente de intensa partilha e de verdadeira festa - do cinema e da vida -, com uma banda sonora rica e diversificada: cantigas açorianas, phado, jazz, morna, electrónica, música para uma nova tradição e o cinematográfico Legendary Tiger Man, a fechar.
Num universo paralelo, mas intimamente ligado ao pulsar do Festival, as oficinas de formação encarregaram-se de lançar sementes para o cinema: Henrique Espírito Santo revelou COMO SE FAZ UM FILME a mais de 300 alunos do ensino básico do Faial; Nuno Costa e Fausto André ministraram e misturaram imagem e música, SEM PALAVRAS, para uma noite de pura eloquência.

Íntimo e particular, absolutamente contagioso e transmissível, o V Festival de Curtas das Ilhas – as ilhas, os ilhéus, o mar, as nuvens, os vulcões, a vinha, o vinho, os mistérios… Cinema - ficará certamente impregnado por muitos e bons tempos na memória pessoal e colectiva dos que o puderam e quiseram viver.
Para que voltem, para o ano, e tragam outros consigo.
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